Geração Z no mercado de trabalho: atraia e retenha talentos
Sua empresa está preparada para a geração z ou ainda tenta liderar novos talentos com práticas que funcionavam há dez anos?
Essa pergunta tem aparecido com frequência na rotina de empresários, gestores e líderes de pequenas e médias empresas. Não porque a geração z seja “difícil de lidar”, mas porque ela chegou ao mercado com expectativas diferentes sobre carreira, liderança, tecnologia, propósito e desenvolvimento.
O erro de muitas empresas é transformar esse tema em choque de gerações.
O caminho mais produtivo é outro: entender como atrair, desenvolver e reter esses profissionais sem abrir mão de produtividade, disciplina e resultado.
Afinal, a geração z já faz parte das equipes, dos processos seletivos, dos programas de estágio e dos planos de crescimento das empresas. Ignorar essa mudança pode custar talentos, aumentar a rotatividade e enfraquecer o clima organizacional.
Segundo a Deloitte, sua pesquisa de 2025 ouviu 817 jovens brasileiros, sendo 510 da geração z e 307 millennials, trazendo recortes importantes sobre trabalho, carreira e expectativas no Brasil.
Quem é a geração z no mercado de trabalho?
A geração z é formada, de modo geral, por pessoas nascidas entre o fim da década de 1990 e o início dos anos 2010. São profissionais que cresceram em um ambiente digital, com acesso rápido à informação, redes sociais, mudanças constantes e maior exposição a debates sobre saúde mental, diversidade, carreira e tecnologia.
No mercado de trabalho, isso aparece de várias formas.
Muitos jovens dessa geração valorizam aprendizado contínuo, comunicação transparente, flexibilidade, coerência entre discurso e prática e oportunidades reais de crescimento.
Mas isso não significa que não queiram trabalhar ou assumir responsabilidade.
Significa que a geração z tende a questionar mais o motivo das tarefas, a qualidade da liderança e o sentido do ambiente em que está inserida.
Para o empresário, o ponto central é entender que engajamento não nasce apenas do salário. Ele também depende de clareza, desenvolvimento, escuta e gestão consistente.
Por que atrair e reter a geração z virou uma prioridade?
A geração z está ocupando cada vez mais espaço no mercado. A McKinsey já apontava que, em 2025, esse grupo poderia representar mais de um quarto da força de trabalho global.
Isso significa que empresas que não souberem lidar com esses profissionais terão mais dificuldade para contratar, formar equipes e manter talentos.
Em pequenas e médias empresas, esse impacto pode ser ainda maior.
Quando um jovem talento sai, a empresa perde tempo de treinamento, conhecimento acumulado, energia da equipe e, muitas vezes, relacionamento com clientes e processos internos.
Além disso, a rotatividade gera um efeito indireto: sobrecarrega quem fica.
Por isso, falar sobre geração z não é seguir uma tendência de recursos humanos. É falar sobre continuidade operacional, retenção de talentos e produtividade no trabalho.
O que a geração z espera das empresas?
A geração z costuma buscar ambientes onde consiga enxergar futuro, aprender de forma prática e receber feedback com clareza.
Isso não significa ausência de cobrança.
Na verdade, muitos profissionais jovens respondem melhor quando sabem exatamente o que se espera deles, como serão avaliados e quais comportamentos precisam desenvolver.
Clareza sobre expectativas
Um erro comum é contratar jovens talentos e esperar que eles “entendam sozinhos” a cultura da empresa.
A geração z tende a performar melhor quando recebe orientações claras: quais são as prioridades, quais entregas são esperadas, quais indicadores serão acompanhados e qual é o padrão de qualidade desejado.
Sem isso, a empresa pode interpretar insegurança como falta de interesse.
Feedback frequente
Feedback anual ou apenas em momentos de erro já não é suficiente.
A geração z valoriza conversas mais próximas, objetivas e constantes. Isso ajuda a reduzir ansiedade, corrigir rota rapidamente e acelerar o desenvolvimento profissional.
Para o gestor, o feedback não deve ser um evento formal e pesado. Pode ser uma rotina simples de alinhamento, com foco em comportamento, entrega e próximos passos.
Desenvolvimento profissional
A geração z quer aprender.
Empresas que oferecem trilhas de desenvolvimento, acompanhamento de liderança, treinamentos práticos e desafios progressivos tendem a ter mais força na retenção de talentos.
A Deloitte destaca, em sua pesquisa global de 2026, que mais da metade da geração z e dos millennials afirmam estar adiando grandes decisões de vida, o que reforça como carreira, estabilidade e contexto econômico influenciam escolhas profissionais.
Isso aumenta a responsabilidade das empresas em oferecer perspectivas concretas, e não promessas vagas.
O que afasta a geração z das empresas?
Muitos pedidos de desligamento não começam no salário.
Eles começam em pequenos sinais de desconexão.
A geração z pode se afastar quando percebe incoerência entre o que a empresa promete e o que pratica, falta de abertura para diálogo, liderança despreparada ou ausência de crescimento.
Também é comum que jovens profissionais percam o engajamento quando entram em empresas sem processos definidos.
Nesse ponto, gestão de pessoas e gestão de processos caminham juntas. A própria ACE já reforça, em conteúdos sobre controle de processos, que falhas, retrabalho e gargalos operacionais comprometem produtividade e crescimento quando não são tratados com método.
Para a geração z, ambientes confusos são especialmente desgastantes, porque dificultam aprendizado, autonomia e senso de evolução.
Como preparar sua empresa para atrair e reter novos talentos
Preparar a empresa para a geração z não significa mudar tudo para agradar uma geração.
Significa melhorar práticas de gestão que, na verdade, beneficiam toda a equipe.
Fortaleça a liderança
O líder direto é uma das maiores influências na permanência de um colaborador.
Líderes que não comunicam bem, não dão retorno, não orientam prioridades e só aparecem para cobrar criam ambientes frágeis.
A Gallup aponta que o engajamento global dos colaboradores seguiu em queda e que apenas 20% dos empregados no mundo estavam engajados em 2025, com impacto estimado de US$ 10 trilhões em produtividade perdida.
Ou seja, liderança não é detalhe. É fator de produtividade.
Crie processos de integração
A entrada de um novo colaborador precisa ser estruturada.
Um bom onboarding ajuda a geração z a entender cultura, regras, expectativas, ferramentas, responsáveis e indicadores.
Sem integração, o jovem talento pode passar semanas tentando descobrir como a empresa funciona. Isso reduz produtividade e aumenta insegurança.
Transforme feedback em rotina
Reuniões curtas de acompanhamento podem evitar muitos problemas.
O gestor pode perguntar:
O que está claro?
O que está travando sua entrega?
Qual apoio você precisa?
O que pode melhorar na próxima semana?
Essas perguntas simples criam responsabilidade dos dois lados: do colaborador com a entrega e da liderança com o desenvolvimento.
Conecte tecnologia com produtividade
A geração z tem familiaridade com tecnologia, mas isso não significa que toda ferramenta nova será útil.
A empresa precisa direcionar o uso da tecnologia para produtividade no trabalho, organização, automação e melhoria de processos.
A McKinsey aponta que, em 2025, muitas empresas investiam em inteligência artificial, mas apenas 1% acreditava ter maturidade no uso da tecnologia, indicando que o desafio não está apenas nas ferramentas, mas na forma como líderes conduzem a adoção.
Geração z não é problema, é teste de gestão
A presença da geração z nas empresas revela algo importante: práticas frágeis de gestão ficam mais visíveis.
Quando não há clareza, feedback, comunicação, processo e liderança preparada, os problemas aparecem mais rápido; mas isso pode ser uma oportunidade.
Empresas que ajustam sua gestão para atrair e reter a geração z também melhoram o ambiente para outras gerações. Afinal, todos se beneficiam de objetivos claros, comunicação melhor, desenvolvimento profissional e reconhecimento justo.
O desafio não é “moldar” a geração z ao passado.
O desafio é construir uma empresa mais preparada para o futuro do trabalho.
Conclusão: sua empresa está pronta para os novos talentos?
A geração z no mercado de trabalho não deve ser vista como ameaça, moda ou problema comportamental.
Ela representa uma mudança real na forma como talentos escolhem onde trabalhar, como se engajam e por que permanecem em uma empresa.
Para empresários e gestores, a pergunta mais estratégica não é “como fazer a geração z pensar como as gerações anteriores?”.
A pergunta certa é: sua empresa tem liderança, processos e cultura suficientes para transformar novos talentos em profissionais produtivos, engajados e preparados para crescer?
Atrair e reter a geração z exige clareza, consistência e gestão de pessoas bem estruturada. E quanto antes a empresa olhar para isso, menor será o custo da rotatividade, da baixa produtividade e da perda de talentos promissores.



